IBJJF na Encruzilhada: Entre a Tradição e a Renovação

 


Nem mesmo esfriou o cadáver da vigésima quarta edição do Mundial da IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation) e venho aqui escrever algumas linhas sobre a repercussão do evento. Semanas antes desta edição, alguns fatores pareciam indicar que a sua repercussão seria bem diferente da dos anos pregressos. Analistas diversos indicavam que no corrente ano de 2024 o mundial não teria o mesmo prestígio que das edições passadas.

Um dos fatores principais do pessimismo dos analistas foi a saída de vários lutadores cotados como favoritos que escolheram se resguardar para competir por outras organizações de Grappling. Aliado a isto, uma acusação de tráfico de influência na arbitragem levantou uma certa dúvida sobre a lisura dos profissionais envolvidos no evento. Mesmo assim, o Mundial aconteceu da mesma forma, do mesmo jeito, mas longe daquilo que já foi um dia.

Parece que a IBJJF tem uma certa dificuldade em lidar com as mudanças de cenário. De seu primeiro evento até sua décima edição, a organização realizou o torneio no mesmíssimo ginásio, o histórico Tijuca Tenis Clube. Em 2007 realizou uma grande transformação, transferindo o Mundial para a Piramide, em Long Beach, California, demarcando a internacionalização da organização, e, desde então, não saiu mais de lá...

O formato do evento pouco difere de suas primeiras edições, mantendo, quase como um relógio suíço, a mesma disposição de seu cronograma. Quando assisto a uma edição dos anos 2010, a única coisa que me indica de quando se trata o evento são as caras que reconheço como do passado, e a qualidade das imagens, pois pouco ao redor se transformou ao longo do tempo.

Como Wolverine no filme “Logan”, a IBJJF parece se lamentar: “O mundo não é mais o mesmo, Xavier...”. Assentada em sua certeza de que a mudança não é necessária, a organização persiste com sua fórmula testada e segura e resiste como pode a ter de realizar modificações em sua estrutura, como por exemplo, a regra, que é um dos elementos que por anos vem sendo duramente criticado pelos profissionais do esporte e pelo seu público.

Neste ano uma das imagens mais replicadas foi a desclassificação de um de seus astros mais relevantes Tainan Dalpra, o que nos fez sentir falta dos grandes lances que faziam a iconografia da história dos mundiais. E para aumentar a agonia, o prestigiado atleta realizou um movimento que em qualquer outro tipo de regra popular da atualidade, permitiria o combate continuar. A desclassificação é um banho de água fria em quem gosta de assistir um bom combate, deixando o expectador não com raiva do desclassificado, mas sim da regra que o desclassificou. Será que não é hora de uma grande revisão da regra? Para IBJJF parece que não...

Os/as atletas fizeram sua parte, entraram e deram o melhor de sua vontade, habilidade e técnica, mas, o prestígio do palco em que se apresentam enfraquece a cada ano e, consequentemente, está perdendo relevância no cenário geral. O antes primo pobre do Jiu-Jitsu de Kimono, o NO-GI tem atraído e ampliado o público e cresce exponencialmente, os astros que antes se empenhavam em alcançar as glórias dentro do tatame da maior organização de Jiu-Jitsu do mundo estão simplesmente sumindo do evento.

O estático, a mudança lenta e bem gradual, tem deixado o público menos afável a acompanhar o mundial com a empolgação que tinha no passado. Como no extinto programa humorístico “Zorra Total”, em que a mesma piada era requentada semanalmente à espera da risada do público da semana anterior, a IBJJF continua, ano a ano, utilizando o mesmo bordão.

A contemporaneidade tem exigido novidades e transformações para engajar o público e encontrar graça nesse conteúdo de entretenimento, a IBJJF precisa urgentemente de um novo roteiro para voltar a fazer sorrir a sua audiência. 


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